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31 de março de 2011

sitemas de proteção divina antipoesia


se vontade de morrer matasse
não haveria a próxima frase

ver-me aos vermes


estou ótimo
mas acho que se estivesse morto estaria bem melhor
não que eu goste de verme
mas acho que eles iam gostar muito de mim

programas a que também Deus tem de assistir


serei quem não sou
e aquele que 
permanecerá em minha sombra
a seguir-me dizendo-me coisas que já gostaria de pronunciar
mas é apenas meu ouvido
pois estarei de lábios serrados
aquele que serei
tomará de um impulso para o abismo
abismo esse que está em mim mesmo
escuro e sem fim
não há choque dos abismos despenhadeiros
apenas a queda
que é a sensação de horror de uma mente no limiar da esquizofrenia
Patrícia Drumond diz
amigo
espero que isso seja um poema
Glauber Pereira Quintão diz
heheheh
eu também
vou contar a até três
e meus olhos se fecharão
as pessoas passarão por mim dizendo ele dorme
mas não é dormir nem sonho
é apenas queda seca
sem atrito
sem vento
sem fundo
estará aquele que serei ali
na poltrona da sala
enquanto passa um programa de domingo
um Faustão
e aquele que serei
será o Faustão
será a barriga do Faustão, murchando, secando, ressecando
essa bexiga sem hélio
e com chumbo
aquele serei
Patrícia Drumond diz
outro poema
Glauber Pereira Quintão diz
a barriga do Faustão
acho que tô com febre

22 de março de 2011

treva entre as estrelas

deus disse haja luzes
o diabo, a polissemia
e ouve treva entre elas
dia sétimo
depois
dia primeiro
e acharam bom

perfeição

se eu fosse onisciente onipotente e onipresente
eu também ia procurar o que fazer
criar um mundo ou um blog
ser perfeito cansou deus

21 de março de 2011

desejo instante

ele disse que haja luz
e houve o nome que ele disse

e viu que brilhava e achou bom
como pudesse criar o ruim
como pudesse ficar surpreso
perdida onisciência: espanto, admiração.

20 de março de 2011

Champagne

os quentes
para encontrarem os frios
ou arrepios
deus os fez aos dedos
sussurrou o segredo de suas missões
que deveriam esquecer ao acordar na terra

hálito de deus

as coisas que se movem
deus as fazer
para se moverem
e parecem que se movem sós

e se se movem
é por que estão sós

Paraizo

deus deixou vozes de saudade
para provar que existiu Paraíso
e se ouve no Búzio
houve Paraíso

deixou a maré e o baralhinho das águas
correndo entre pedrinhas ou areias
desde o Paraíso
pra morrer de saudade
seu sorriso entre duas linhas
uma expressão de prazer
que poderia ser maior
e ainda.
explodir

instrumento de pau

meu corpo de ressonâncias graves
violãocielo
minha alma dedilhada por anjos Serafim, Bandolim
corpo dentro de mim
almas de fora
Bandolim, meu anjo de agora,
não me deixe assim
não vá embora
ou deixa seus raios
que indo embora
eu caio