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30 de agosto de 2010

Vela

eriçara-te os pêlos
quiçá mera obra de brisa?
apaziguara-te os medos
quiçá mera força de dentro?
aguilhoara-te a carne
quiçá mera abelha distraída?

dilatara-te o sono
quiçá mera rotina do tempo?
saciara-te a fome
quiçá mera química orgânica?
dera-te outra vida
quiçá mero ciclo natural?
contemplara-te com um amor
quiçá coincidência mera?


ou tropeças em teu anjo?
ou o atravessas sem sentí-lo?
ou o olhas sem o ver?
ou desprezas quem te vela?
lambe a auréola
sente o gosto de pétala
por pétala se desfazer
na boca, no céu dela
sente o calibre da vela

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