Deus não é mais onisciente
Ele disse:
foda-se o google
(para meu amigo Paulo e ao time do São Paulo) você diz: um Amor, um Deus |
Você diz: temos de compartilhar |
sejamos irmãos, somos iguais |
somos demais? |
carregar um ao outro |
Não há uma canção assim? |
eu te desapontei? |
você está aqui pelo perdão |
as letras da igreja cantam nossa sujeira, nossa doença |
que o sangue do cordeiro nos cure, nos limpe |
nos supõem sujos |
é um Amor |
um Sangue |
uma vida |
uns entre outros |
irmãos e irmãs |
perplexos diante do mistério |
tenho uma necessidade nesta noite: dividir um pão |
Partilhar |
eu te desaponto |
e você quer seguir sem mim |
somos os mesmos ante Deus, mas diferentes, um ante o outro |
somos demais? |
você me deu um nada, um ok, e neste momento, é tudo o que tenho |
você pede que eu entre |
então me deixa rastejar |
está melhorando? |
vamos fazer as coisas fáceis agora. |
vamos deixar o minuto se completar por segundos |
eu te desapontei |
sou um forasteiro |
era alguém de casa que você esperava? |
você me diz que a verdade maior, única |
e toda ela une os irmãos |
e toda ela é paz |
você me diz que o corpo é um templo |
e me pede que entre |
você diz que o amor é um templo |
e me convida ao louvor sagrado |
a impulsionar as cordas vocais |
pois o canto é o tremor do corpo entoando seu agradecimento |
sem dizer palavra por palavra |
depois me diz: que a vibração é pecado e que ruborizou de vergonha |
todos os dias você desenha a última despedida |
um adeus |
mas parece retornar ao princípio, pois sabe sem saber: |
a gente é igual, sob todas as diferenças, em Deus |
você pede para eu acreditar que este é o último adeus |
sinto medo |
sinto medo e tenho coragem |
te peço um beijo |
mas te desaponto |
a desejar o último adeus |
fico pensando como é triste você dizer que eu arrume uma namoradinha |
dizendo, sem dizer, que eu procuro por uma mulher e não por você |
por que eu? |
por que você? |
há milhões de possibilidades. |
houve trilhões de possibilidades quando nasceu justamente você |
talvez, se simplesmente houvesse um espaço em que pudéssemos dançar |
você quer provar que pode resistir às tentações da carne? |
você quer mostrar que pode ficar diante de um homem que te deseja e não se sentir tocada por isso? |
que seu corpo não esquenta. |
é seco. |
não pulsa. |
não tem ritmo. |
então como é possível louvar? |
o louvor não tem a máxima expressão de vida? |
não há, nisso, algo tão corporal quanto o sexo? |
o louvor não são as fímbrias da voz que penetram os céus? |
te desejo. |
sinto que você faz do seu desejo uma forma de mostrar-se santa, freira, pura. |
merecedora da salvação |
e, assim, dá-me “talvez”, dá-se, a si mesma, “talvez”, como a outros pretendentes |
eu sustento meu sim |
e o meu sim, que te entrego como oferenda e como pedido |
o meu sim compactua com o silêncio |
esse silêncio habitado por Deus |
anterior e maior do que as palavras dos obreiros, ungidos, pastores |
sustento meu sim com a força da fé |
porque tenho razões claras de que não é fácil |
de que você não está muito aí |
de que talvez, o uso que você faz de mim, não tem finalidade em mim, mas na sua salvação |
te desejo |
mas você diz que o desejo é uma fraqueza humana |
como tentação |
diria que não deseja Deus? |
que não deseja cantar? |
que não deseja comer e dormir? |
te desapontei por ser como um forasteiro |
ou por ser um mendigo |
um pedinte |
não. |
não me comparo a essas classes |
não me sinto desgraçado |
imploro porque esse encontro expressa a possibilidade de realização |
dentro das possibilidades humanas |
de um encontro que, em tudo deveria agradar aos olhos de Deus. |
amanhã, estarei sem crédito |
pretendo fazer um pouco como você, agora. |
segurar-me |
deter-me |
por sentir que esse desejo seria a realização de um coisa muito linda |
mas você me diz para encontrar alguém da minha cidade |
como dissesse, volta forasteiro, para donde veio |
minha casa, não pode recebê-lo |
meu templo, está fechado |
você o disse? |
apenas por palavras. |
por palavras que julgo desconectadas de seu corpo |
como alguém que diz que está bem, enquanto faz uma cara de dor: alguém lhe pisa os pés: tudo bem. |
seria como uma profunda forma de ignorar o templo, o corpo, o sexo que Deus fez |
é estranho que muitos evangélicos chamem ao mundo de "mundano", como algo sujo e desprezível |
no Gênesis, passo a passo, tudo que deus cria, vê e acha Bom. |
sua criação é boa |
homem e mulher Ele os criou. |
"Deus viu que isso era bom" |
frase iterada ritualmente na criação, Gênesis |
vejo, como humano, que é bom |
e não poderia ver como Deus |
parece concordar com Ele |
parece que Ele vê e acha bom |
enquanto as pessoas que provaram da árvore do conhecimento |
ou seja, os que pretendem conhecer a verdadeira opinião de Deus |
agora sentem vergonha como Adão e Eva achando vergonhoso olharem-se nus, o que era apenas belo o que era apenas criação de Deus o que Deus acha bom |
estão contaminados pela vergonha |
ainda sinto seu cheiro |
te desejo |
detenho-me |
até um dia |
farei acontecer em breve, se depender de mim |
considero que falei como um chato |
eu precisava |
sob seu olhar, |
te entregando o poder para decidir |
deixando-me nu para ser julgado mas não me envergonho |
peço ainda um espaçozinho em seu templo |
mais conversas e encontros |
te quero |
não fizemos compras juntos |
não arrumamos nossa casa |
não cozinhei pra você |
não assistimos a um filme juntos |
não nos casamos |
não dormimos juntos |
não nos conhecermos nos sentidos bíblicos |